Estilo Pet
Saúde bucal dos pets merece atenção
Para evitar a formação de tártaro em cães e gatos, manter a rotina de cuidados com escovação diária é a melhor solução
Nem todos os tutores de pets sabem, mas cuidar da saúde bucal de cães e gatos é crucial para o bem estar dos bichinhos. Também é importante ficar sempre alerta para quaisquer alterações nos dentes ou no comportamento deles ao se alimentar. Estes cuidados podem identificar problemas sérios, como doenças que podem oferecer grandes riscos à saúde.
Algumas raças precisam de mais atenção, pois possuem uma maior incidência de problemas dentários por conta da cabeça braquicefálica, ou seja, com focinho achatado. “São raças em que a boca não abre muito, logo acumula muito alimento entre os dentes. Além disso, há conformação da arcada dentária diferente, como dentes acavalados e virados. Eles mordem diferente do que deveriam e acumulam mais contaminação entre os dentes”, afirma a veterinária Katiellen Neves. Dentre alguns exemplos estão as raças Pug, Boston Terrier, Bulldog Francês, Pequinês, Boxer, Shih-Tzu e Dogue de Bordeaux.
Cuidados desde filhotes
A dica para a higiene bucal é a escovação diária, acostumando-os desde cedo. “Quando são filhotes existe escova própria, que serve para introduzir a escovação. Uma dica é um creme dental gostoso para que seja um momento agradável. Quando eles aceitam de fato a escovação, a gente muda a escova para a funcional”, destaca Katiellen.
A limpeza feita em casa é a melhor forma de evitar o tártaro, que além de desagradável ao animal pode ser o principal causador de doenças graves. A veterinária explica que as bactérias da boca migram pelo corpo através da circulação e podem parar nos rins e no coração. Além de, em alguns casos, causar deformações na face do animal.
Caso o pet não aceite a escova, existem aliados na limpeza, não tão eficazes como a escovação, mas que podem auxiliar na prevenção de tártaro, como brinquedos e produtos colocados na água, com destaque às substâncias à base de xilitol em que, ao invés da bactéria consumir o dente, consome o açúcar desse produto, além de sprays bucais para minimizar a adesão da placa bacteriana.
O tártaro apareceu, e agora?
Quando o tártaro surge, a única forma de eliminá-lo é levando o animal até um veterinário para limpeza sob anestesia geral. De acordo com Katiellen, o questionamento mais recorrente é o porquê da anestesia. Ela frisa que os animais dificilmente deixam mexer em suas bocas, o que tende a ser agravado pela dor.
Não há uma recomendação quanto a tempo de renovação da limpeza, porém consultas devem ser realizadas para uma melhor avaliação profissional. “Recomendo a cada seis meses, de uma forma geral, ir ao veterinário para fazer um check-up.Porém, em caso de escovação diária muitas vezes essa limpeza de tártaro é feita uma vez e depois não há mais necessidade”, ressalta a veterinária.
Cuidado com a alimentação
Quanto à ideia de que alimento caseiro é aliado no surgimento de tártaro, a veterinária desmente. “É mito. Porém é importante frisar que o alimento caseiro não é o resto do arroz ou da carne que sobra, é uma dieta formulada por um nutricionista veterinário, tudo balanceado.”
Sobre a utilização de ossos, ela frisa que podem ser oferecidos aos cães, porém devem ter passado por nenhum tipo de processo como cozimento, devido ao perigo de ingestão. O osso in natura deve ser refrigerado por 24 horas. Quanto mais densa a textura, maior desgaste dentário ao roer, o que o torna a arcada dentária apta a não acumular sujeira.
E quanto aos felinos?
Os felinos também acumulam restos de alimentos que favorecem a proliferação de bactérias, além de infecções e gengivite. “O desafio é um pouco maior, porque a maioria não consegue escovar dentes de gato”, conta a médica veterinária.
A maior diferença nos felinos é a Lesão Reabsortiva dos Felinos (LRF), considerada a cárie dos gatos, que pode ocasionar a reabsorção dos dentes e deixá-los mais predispostos a fraturas e à Gengivoestomatite Linfoplasmocítica Felina (GELF), síndrome caracterizada por lesões orais que causam intenso desconforto, levando a quadros de disfagia, anorexia e emagrecimento, onde a única resolução é a extração de todos os dentes.
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